domingo, 14 de junho de 2009

Dia da Graduação

O dia da graduação esteve na principal razão para eu ter regressado de Angola uns dias mais cedo que o suposto... Um dos meus colegas, também oriundo daquela grande faculdade chamada FEUP, perguntou-me se não tinha recebido nenhum convite pelo correio em casa, ao que eu fiquei surpreendido e também na dúvida.

Obviamente, a minha morada oficial continua a não ser em Lisboa e, como tal, não consulto a minha correspondência com a frequência com ela deveria ser consultada, aliando isto ao facto de os meus pais estarem em França e portanto não haver ninguém em casa... Além disso, também não costumo receber propriamente demasiada correspondência em casa à excepção de uma ou outra coisa mais normal, portanto não me preocupo propriamente muito...
Estava já em Angola quando resolvi tirar a prova dos nove e ligar à vizinha que normalmente me guarda o correio, só mesmo para confirmar se de facto tinha recebido alguma coisa do género... Lá estava a dita cuja, uma carta da faculdade com o texto "Comemoração de Novos Mestres"... Depois de pedir para abrir e para ler, começo a pensar e, azar dos azares, o dia da graduação era precisamente no mesmo dia em que eu deveria regressar a Lisboa, pelo que não dava para ir...

Analisando melhor o tema, achei que seria giro e importante ir à comemoração, pelo que tratei de falar com o boss e antecipar a viagem em um dia, para sexta-feira, para poder ir. Um dia a mais, um dia a menos, pouca diferença faria e pelo menos assim conseguiria ir! Assim que falei do convite aos meus pais e depois de alguns esclarecimentos sobre o que era em concreto o evento, eles fizeram questão de ir também, o que obviamente acabou por definir ainda mais a situação quanto à minha presença.
Foi uma manhã bem passada, onde apesar de ter sido forçado a acordar cedíssimo para conseguir estar no Porto às 9h30, valeu a pena ir. Foi uma forma de estar com alguns amigos que já não via à imenso tempo, de rever alguns professores, de voltar a entrar na faculdade que me acolheu durante cinco bons anos...

Enfim, com excepção de alguns discursos, tais como o do presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que conseguiu colocar quase toda a audiência em desespero na primeira fase do seu discurso e depois a dormir na recta final, até foram proferidas alguns temas e ideias interessantes. Agora virem-me falar de características e propriedades específicas do betão num auditório nada interessado em ouvir isso, poupem-me por favor!!! Por alguma coisa eu não fui para Engenharia Civil, não é? Tenho plena convicção que nem os recém-licenciados em Civil conseguiram resistir aquele discurso chato! Fica a sugestão para o ano: não coloquem ninguém a discursar sobre temas tão pouco abrangentes! Era a mesma coisa que ir para lá o Bill Gates falar só de bits e bytes...
Foi já à quase seis anos que dei um valente pontapé na vida e, do nada, resolvi ir estudar para o Porto. Um dia ainda escrevo aqui a história que me levou a abandonar a ideia da Universidade de Aveiro e optar pela Universidade do Porto... É óbvio que não sei como as coisas teriam acontecido, mas uma coisa é mais que certa: continuo a achar que foi uma das melhores escolhas e decisões da minha vida!

A foto seguinte acaba por ser algo simbólica. O seu simbolismo está relacionado com o facto de ter sido nestas escadas que tudo começou... Lembro-me perfeitamente do primeiro dia em que pisei estas escadas pela primeira vez, da sensação estranha que foi saber que iria pisar aquelas escadas vezes sem conta durante os cinco anos seguintes, da reacção de acolhimento espectacular que tive, enfim tudo e mais alguma coisa... É claro que tive alguns maus momentos mas, analisando bem tudo, quase só me lembro dos bons momentos.

Foi com alegria que pisei novamente estas escadas. Tenho imensa pena de não ter comigo a primeira foto que tenho neste local, aquela que a minha mãe se lembrou de tirar no dia em que fui fazer a matrícula... Seria engraçado colocar as duas fotos aqui lado a lado, mas como não a tenho neste momento, resta apenas a que se segue, com algumas diferenças em relação à primeira: quase seis anos mais velho, sem popa no cabelo, vestido com umas calças de ganga e uma t-shirt normalíssimas em vez de traje, com muito menos histórias, recordações e sabedoria para contar...

Férias no Gerês

Aproveitando uma semana com dois feriados e gastando apenas três dias de férias, a segunda semana de Junho era sem dúvida muito apetecível para se ter umas mini-férias. Combinadas à já algum tempo com o primo Jorge e com o João, as férias estavam marcadas para o Minho, mais precisamente para a zona do Gerês.

6h30 - A23, sentido Covilhã - Guarda

Já com o Auris carregado desde a véspera com tendas, sacos-cama, sacos de roupa, cobertores, colchões, uma mesa, comida e bebida e mais uma série de coisas indispensáveis a quem vai acampar, fizemo-nos à estrada de manhã cedo. Com a saída do Dominguizo prevista por volta das 6h da manhã, saímos já com praticamente meia hora de atraso... A probabilidade de não conseguir ser pontual de manhã é grande, especialmente estando de férias, portanto tive alguma culpa no atraso... Além disso, como os meus pais abalavam para França nesse dia e ainda tinham de ir para o aeroporto de Lisboa, as despedidas já habituais com algumas lágrimas de parte a parte causaram ainda mais atraso... Estava já eu a chegar a todo o gás a casa do meu primo, quando os vejo a andar a pé para irem ter comigo... Vá lá que o meu primo percebeu que eu estava atrasado e tratou de minimizar o atraso indo buscar o João à aldeia vizinha.

Campo do Gerês

A viagem decorreu toda ela com bastante normalidade, com uma paragem já depois do Porto para beber café, ir à casa de banho e esticar um bocado as pernas... O pior mesmo foi a chuva que, depois das várias ameaças e tentativas durante a viagem até ao momento, teimou em aparecer de vez e tornar o dia num autêntico dia de Inverno... Ainda por cima, começou a chover a sério na pior parte da viagem, logo a seguir a Braga, numa estrada nacional que ninguém conhecia e cheia de curvas e contra-curvas com é típico das estradas montanhosas... Estava a começar mal o primeiro dia!

Uma vez chegados à pacata aldeia do Campo do Gerês, foi relativamente fácil descobrir o parque de campismo. Chovia bastante e a ideia de descarregar o carro, montar tendas e acampar durante uma semana inteira com um temporal daqueles não era de todo uma situação agradável... Sabíamos que o parque de campismo tinha também vários bungalows e camaratas para alugar, pelo que tratámos de saber se havia possibilidades de alugar um desses espaços enquanto o tempo continuásse mau...

Bungalows só havia um disponível, um T2, e o aluguer por noite ficava bastante caro. A senhora da recepção lá nos acompanhou para vermos as camaratas e o que vimos deixou-nos convencidos, já que a camarata até era bastante agradável e espaçosa, com quatro beliches e ainda por cima até ao momento íamos ficar apenas os três a ocupá-la. Seria praticamente a mesma coisa que ficar num bungalow, pagando menos e tendo a consciência de que poderia chegar mais alguém entretanto.

Três malucos: João, eu e Jorge

Uma vez instalados e face às más condições climatéricas, optamos por uma pequena volta pela aldeia do Campo do Gerês para começar. Uma aldeia praticamente deserta, onde as muito poucas pessoas que se viam pelas ruas eram pessoas já idosas, que viviam a sua reforma numa pacatez tremenda.

Lá encontrámos um café para tomar o segundo pequeno-almoço do dia e jogar uma breve matraquilhada antes de continuar à descoberta da aldeia. É curioso que esta foi a única vez em que vimos o café aberto... Não sei qual seria a hora de fecho mas, de todas as restantes vezes em que tentámos ir lá, sempre ao final da tarde ou início de noite, nunca mais o encontrámos aberto... Pudera, se eu fosse dono do café faria certamente o mesmo... Num sítio em que nada se passava à noite, provavelmente nem seria rentável manter aquilo aberto e mais valia ir para casa dormir...

Cascata de Leonte

Depois desse café e na continuação da actividade de descobrir a aldeia, em que muitas das ruas são de trânsito proibido e condicionado a residentes, acabámos por nos refugiar da chuva e entrar noutro tasco... Por sugestão da dona do café, bebemos uma jeropiga e acabámos por trocar uns dedos de conversa, na qual ficámos a saber que há imensa gente na zona que aluga casas a turistas. É um caso a considerar no futuro e até pode ser uma boa possibilidade de férias, especialmente se for com um grupo de pessoas maior.

Entretanto começou a chegar a hora de almoço, pelo que seria necessário ir às compras... Lá fomos nós em direcção a Terras de Bouro, uma pequena vila sede de concelho, comprar o necessário para o almoço que seria à base de carne grelhada. Os locais existentes no parque de campismo apropriados para fazer grelhados felizmente tinham um pequeno telheiro, pelo que a chuva era coisa que incomodava pouco na altura de comer... E a fome já era tanta na altura face ao adiantar da hora, que foi comer logo ali e pronto! Ainda soube melhor!

Apesar do mau tempo, não estávamos ali para ficar parados no parque de campismo, portanto rapidamente tratámos de partir de carro à descoberta das aldeias vizinhas, parando imensas vezes ao longo do caminho para admirar e tirar fotografias às magníficas paisagens naturais da zona. Chega a ser impressionante a imensa quantidade de vegetação existente, tudo sempre muito verde, com água abundante em rios, ribeiros e pequenas quedas de água... Onde quer que uma pessoa fosse, estas características estavam sempre presentes!

É verdade que o clima habitualmente mais húmido do Douro Litoral e Minho relativamente ao resto do país proporcionam características naturais como estas e não é à toa que o Minho é muito conhecido pela sua imensa verdura, mas nunca pensei que existissem tantos sítios onde mesmo em pleno dia não se conseguisse ver o sol. Mesmo nos locais que já foram mais manipulados pelas pessoas, por exemplo, chega a haver alturas de grande penumbra mesmo! Parece que se está a entrar num túnel natural, onde a luz do dia é completamente filtrada pela vegetação circundante!

Mata Nacional - Parque Nacional da Peneda - Gerês

Um dos locais por onde gostei mais de passar foi numa zona de acesso condicionado do Parque Nacional. Depois de uma pequena voltinha a pé pela vila do Gerês, decidimos continuar de carro pela estrada estreita que subia com uma inclinação já considerável em direcção a Espanha...

Fiquei admirado quando cheguei a uma zona que começou a ter placas a indicar acesso condicionado alguns quilómetros à frente e achei aquilo um bocado exagero, que seria apenas algo informativo de uma zona um bocado mais restrita do Parque Nacional e eventualmente mais patrulhada que as restantes áreas... Qual não foi o meu espanto, quando cheguei ao cimo do monte e me aparece uma senhora bem agasalhada do frio com um sinal de stop na mão! Aquilo que eu julguei inicialmente como sendo treta era de facto para levar em conta, já que se tratava de um pequeno posto equivalente a uma portagem. Íamos atravessar uma zona do Parque Nacional de acesso condicionado, sujeito ao pagamento de uma taxa, e com regras de circulação próprias, tais como não poder circular a mais de 40 km/h, não poder parar nem estacionar...

Como é óbvio, as regras existem para se cumprir mas nem tudo pode ser levado à letra... Então com paisagens brutais e não se podia parar para tirar uma fotografia sequer? Nem pensar nisso! Fomos parando várias vezes ao longo do percurso até que, quase na saída da zona de acesso condicionado, nos aparece um jipe da Guarda Florestal, que fez questão de nos relembrar que não podíamos parar naquele sítio e de nos perguntar se íamos demorar muito.

Pode parecer excessivo, mas em certa parte acabo por concordar totalmente com um controlo apertado. É abrindo excepções a algumas pessoas julgando que elas têm a melhor das intenções que depois surgem coisas terríveis para a natureza como os incêndios florestais e afins... E seria de facto uma pena que isso acontecesse numa zona tão bonita e única em Portugal, portanto acho muito bem que tal controlo aconteça.

Barragem de Vilarinho da Furna

Quando acordámos na quinta-feira de manhã, o contraste com os dias anteriores era enorme. Tal como estava previsto pelos senhores da metereologia, o bom tempo característico da altura que antecede o Verão estava de regresso: um dia de sol lindo, quente e felizmente sem o menor vestígio das chuvadas dos últimos dias ou algo que apontásse para mau tempo novamente...

Foi apenas o tempo de se arrumar tudo na camarata, tomar o pequeno-almoço, passar pela recepção a avisar que tinha sido a última noite na camarata e que iríamos montar tenda nesse dia e estávamos prontos para uma bela caminhada. Ah, falta o pormenor importante de ir também às compras para levar comida para o almoço, até porque caminhar pela natureza acaba por abrir ainda mais o apetite!

Saindo do parque de campismo de mochila às costas, o objectivo era explorar um pouco os vários percursos pedestres que vimos assinalados no mapa e bem indicados mesmo para quem anda a pé. Sempre com a barragem de Vilarinho da Furna em pano de fundo, dirigimo-nos ao local de acesso a uma antiga Via Romana e embrenhámo-nos nos trilhos outrora muito percorridos e que hoje em dia apenas servem para belos passeios.

No entanto, em alguns locais, são ainda muito visíveis os traços da passagem romana na zona, desde pedras com inscrições em latim, pequenas pontes, zonas de calçada cobertas de vegetação rasteira e muito musgo... Para não fugir à regra, quase todo este percurso é feito sempre com muita vegetação, água e sombra em redor, claro!

Via Romana

Uma coisa que achei estranha nestes cinco dias de férias foi o facto de ver várias vezes animais "abandonados", principalmente cavalos e vacas... Como é evidente, estes animais têm dono e não andam propriamente perdidos nem abandonados, mas gozam de uma liberdade fora do normal, já que são deixaos por ali à solta a alimentarem-se da imensa vegetação existente.

É um conceito um bocado estranho e que causa alguma confusão nos dias que correm, já que qualquer coisa deixada sem qualquer vigia corre o risco de ser roubada... É claro que não é propriamente fácil roubar um cavalo ou uma vaca, mas são coisas que podem perfeitamente acontecer... Dá a sensação de que ali se ficou parado no tempo, onde tudo continua muito pacato e esquecendo um bocado todos esses problemas, como se eles não existissem.

Depois de uma caminhada de alguns quilómetros chegámos finalmente ao nosso destino principal do dia: a antiga aldeia de Vilarinho da Furna. Esta aldeia, cujo nome está na origem do nome da barragem, foi completamente submersa na altura de construção da albufeira da barragem, desalojando os seus habitantes.

Ao chegarmos ao local onde outrora foi a aldeia, deparámo-nos com um conjunto de pessoas que ali ia praticar mergulho para observar melhor as ruínas da aldeia. Infelizmente, dado que a albufeira estava bastante cheia, não foi possível ver muitas coisas da antiga aldeia, com excepção das pedras que constituiam alguns muros e paredes de casas mais à superfície. No entanto, foi um óptimo passeio e acabou por ser naquela zona que, à sombra das árvores, decidimos almoçar e comer as sandes trazidas na mochila para diminuir o peso que ainda andava às costas.

Aldeia submersa de Vilarinho da Furna

Ruínas da aldeia de Vilarinho da Furna

Digamos que, no momento em que chegámos ao parque de campismo novamente, eu já tinha ganho a alcunha temporária de Mantorras... Tenho de ir brevemente ao médico ver o que se passa com isto, já que desde aquela primeira ida a Sangano em Novembro, nunca mais fiquei a cem por cento... A coisa foi passando e as dores foram diminuindo, pelo que nunca mais me preocupei, mas o que é certo é que basta algum exercício mais intenso e que obrigue a fazer mais esforço e as dores regressam....

No entanto, o dia ainda não tinha terminado: uma vez que já tínhamos decidido abandonar a camarata e aproveitando o regresso do bom tempo, decidimos montar as tendas nem que fosse por apenas uma noite... Como tal, e após um breve descanso, lá tivémos nós que andar a montar as duas tendas... O que vale é que a prática já começa a ser alguma e o tempo que se demora a montar a tenda é cada vez menor... Passado pouco tempo lá estavam as nossas duas "habitações" daquela noite prontas.

Dado que afinal de contas ainda só íamos a meio da tarde, ainda tínhamos tempo para mais uma caminhada de despedida da zona... Optámos por parte do mesmo percurso seguido de manhã, mas depois seguimos na direcção oposta da Via Romana que tínhamos escolhido de manhã. Foi uma caminhada igualmente porreira, debaixo de bastante calor e claramente numa óptima de explorar um bocadinho mais a zona. Acho que se eventualmente estivesse estado o tempo sempre bom, teríamos palmilhado todos os percursos indicados no mapa e inventado mais alguns.

Já no último dia, fomos ainda tirar algumas fotos da praxe antes de abalar e que tinham ficado adiadas à espera de bom tempo! Nem todas as fotos estão aqui (acho que este post até já tem fotos a mais...), mas achei engraçado deixar aqui aquela em que o João e o Jorge saltam da ponte romana e também aquela que acaba por marcar a nossa passagem pelo Parque Nacional da Peneda - Gerês.

Ponte romana

Conforme se pode ver, a foto seguinte foi tirada com o temporizador da máquina fotográfica, coisa que me obrigou a correr e recordar os problemas no joelho da véspera. É a foto que marca a despedida do Gerês mas não a despedida das férias, já que era ainda bastante cedo e estava prevista uma visita relâmpago às cidades de Braga e Guimarães antes de se regressar à Covilhã e dar as férias por terminadas. No entanto, o relato da visita a estas duas cidades fica reservado para um novo post, mais que não seja porque este é um sério candidato a ser o maior post de todo o blog... Pelo menos no que diz respeito ao número de fotos por post, sem dúvida que já é um vencedor!

Produção... e agora???

Tal como já tudo aparentemente apontava no final do dia de sábado, as próximas etapas até finalmente se concluírem todas as tarefas relacionadas com a entrada em produção, em princípio iriam decorrer com tranquilidade, ao ponto de não se tornar expectável que algo fosse correr mal no domingo...

Felizmente, exceptuando alguns pequenos percalços de importância pouco significativa e que foram resolvidos praticamente no momento em que surgiram, o domingo foi um sucesso, entrada em produção também e toca de se combinar uma mega jantarada para festejar! Escolhido o restaurante, lá foi a malta para um jantar bem animado, ao qual se seguiu mega festa no Chill Out!
Muito embora a vontade fosse ficar a dormir no dia seguinte, estava combinado um encontro no embarcadouro do Mussulo às 10h da manhã, pelo que foi uma segunda-feira a acordar cedinho, com a grande diferença de ser feriado no dia da criança e de o destino ser a praia! Com ligeiros atrasos, que como é óbvio acontecem sempre, lá foi a malta toda dividida em dois barcos para o Mussulo, à espera de um dia de descanso bem merecido.
Que dia extraordinariamente bem passado! Chegados ao Mussulo, começou com banhos alternados de sol e na água quentinha do mar... Algum tempo depois, já estava tudo a comer e beber... Entre idas ao banho, petiscos e apanhar sol, depressa se chegou o almoço... O almoço foi animado já que, além de sermos bastantes, reinava a boa disposição derivada de um dia de descanso, calor, algumas caipirinhas à mistura e ainda com aquele ar de felicidade pela entrada em produção bem sucedida.

Almoço mais animado, só mesmo se a malta não tivesse saído à noite até às tantas, o que naturalmente implicou que toda a gente estivesse mais cansada... Obviamente, depois de ter a barriguinha cheia, o cansaço começou a dar sinais de vida e as toalhas ao sol começaram a tornar-se um alvo apetecível... A pouco e pouco, toda a gente foi dispersando e, passado pouco tempo, a zona da praia onde tínhamos as toalhas quase parecia um campo de desalojados, cada qual a dormir para seu lado em cima da toalha...
Como é óbvio, depois de uma noite em que se foi jantar fora para comemorar a entrada em produção, numa noite em que depois do jantar se foi dançar até altas horas da madrugada, numa noite em que depois de muito dançar ainda houve direito a um convívio agradável na piscina do Palm Beach por volta das 5h da manhã e em que a cama só apareceu finalmente por volta das 6h30, é óbvio que o cansaço acabaria por vir ao de cima...

Naturalmente, depois de se ter acordado cedo para ir para o Mussulo, ter gasto umas energias a dançar e estando de barriga cheia depois de almoço, nada melhor que uma sesta para recuperar energias! Numa tarde de muito calor, de relaxo absoluto, soube extremamente bem adormecer num ambiente bastante quente, com a sorte de pouco tempo depois ter ficado à sombra de uma pequena palmeira que certamente me salvou de escaldão garantido! Cá fica a foto que o comprova, muito embora eu nem sequer me tenha apercebido do momento em que foi tirada...
Uma vez acordado desta sesta fantástica, ainda deu para uma pequena voltinha a pé até à contra-costa. Apesar de não ser a primeira ida ao Mussulo, nunca tinha ido lá... Depois de uma caminhada não muito longa a atravessar aquela língua de areia, eis que chegamos finalmente a uma praia deserta e com um areal mais sujo, com uma ondulação bem mais agitada por ser já Oceano Atlântico, água um bocado mais fria... Caso o areal não tivesse sujo e caso existissem um pouco mais de condições na zona, seria também uma óptima praia para se estar, a relembrar a praia quase deserta e de mar agitado em Sangano!

Once in a lifetime!

O título deste post foi escolhido a dedo e com bastante critério, não só porque o momento se refere a um marco muito importante, mas também porque decidi adoptar este título com base num email que alguém importante na foto abaixo enviou.

Após dias, semanas, meses de trabalho árduo, conseguimos finalmente entrar com o novo sistema em funcionamento, tendo não só tudo corrido bastante bem como também a uma velocidade cruzeiro bastante acima do expectável. Se à partida tudo estava previsto para durar dois dias, tendo ainda uma margem de um dia caso tal fosse necessário, foi com agradável surpresa que, logo após o final do primeiro dia, se verificou que tudo estava muito bem encaminhado e com um avanço em relação ao previsto absolutamente inacreditável...

No final do dia de sábado, muito embora ainda faltasse o domingo e a segunda-feira como precaução, respirava-se alívio, felicidade e sensação de dever quase cumprido por os piores receios terem já sido ultrapassados... Faltavam apenas os últimos pormenores de domingo, concluir as tarefas ainda pendentes de acordo com todos os procedimentos identificados para a entrada em produção e pouco tempo mais faltava até ao momento em que a primeira apólice seria finalmente emitida!

Apesar de com bastantes dias de atraso desde o dia em que este post merecia ter sido escrito(31 de Maio), não poderia de forma alguma deixar de o recordar como sendo, até ao momento, o dia mais importante da minha ainda muito curta carreira profissional e também como sendo o dia que mais me senti orgulhoso por ver o esforço global de toda uma equipa fantástica da qual tive / tenho o prazer de pertencer, dar finalmente frutos e provas de excelente trabalho desenvolvido depois de muita luta e esforço.

A todos, incluindo não só aqueles que estão na foto, mas também todos aqueles que, fosse por estarem em Portugal, fosse por não terem ido trabalhar naquele dia, fosse por estarem de sobreaviso para que tudo corresse conforme esperado, fosse por já terem saído do projecto, enfim por qualquer razão que não lhes permitiu estarem presentes na foto mas que sem dúvida deram o seu contributo, os meus parabéns bastante merecidos!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

CAVE

Muito boa gente se tem continuamente interrogado sobre o significado desta sigla que repentinamente começou a aparecer nos nick de Messenger de um conjunto reduzido de pessoas que estão na sala de projecto... Pois bem, se alguém julga que, ao ler este post, vai ficar finalmente a saber o significado da sigla, bem podem esquecer e começar a poupar tempo parando imediatamente de ler já no final desta frase...

Estive quase para meter como título deste post (EN) CAVE, já que uma coisa que até começou por brincadeira e nada relacionado com trabalho, facilmente começou a degenerar por nós próprios como sendo os gajos sempre "encavados" com trabalho... E novidades?...


Na minha modesta opinião, a pergunta "Quem é que não precisa de vir trabalhar amanhã?" tem tanto de retórica como de psicológica... Obviamente, ninguém anda propriamente a "brincar aos seguros" em Angola e, como tal, parece-me mais que natural que, mesmo tendo sido tomada a decisão de adiar tudo algumas semanas em Abril quando as coisas não correram como esperado, toda a malta tenha continuado a dar-lhe, precisando neste momento de se fazer uma reflexão consciente das coisas que cada um alterou...

Assim sendo, foi para mim bastante natural quando vi os braços um a um no ar de quase todos, não tendo havido surpresas... Do mesmo modo, parece-me também bastante evidente que, mesmo quem possa ter andado a fazer outras coisas não tão directamente relacionadas com isto, acaba por ser necessário face ao que é preciso fazer, mais que não seja porque também deram nessas tarefas um contributo bastante valioso e têm enorme conhecimento sobre diversos temas... Como tal, vemo-nos às 10h amanhã para pelo menos mais um dia ao fim de semana de trabalho...

Onde é que eu já vi isto acontecer num passado não muito distante?? Pois, acho que sim, também penso que não devo estar a sonhar acordado... Parecia bom de mais para ser verdade... Eu bem me parecia que tinha sido um bocado ingénuo ou optimista demais quando pensei que a fase anterior tinha sido excepcionalmente complicada e que o Murphy tinha sido inexplicavelmente omnipresente... Não sei se pensei bem ou mal, mas a verdade é que estou a ver demasiadas coisas começarem a repetir-se a pouco e pouco, o que pode dar asas gigantes a que se voltem a repetir os exageros do passado recente... Oxalá eu esteja mesmo completamente enganado, para bem da sanidade física e mental de todos nós...

Se estou ressabiado com tudo isto? Sinceramente, não estou ressabiado... Compreendo a situação actual e quero acreditar (e muito) que isto é relativamente passageiro, que daqui a duas semanas a coisa vai estar calmíssima e que é necessário este forcing neste momento... Aliás, vendo bem as coisas, isto não me deixa nem de longe nem de perto mais chateado que ter andado a semana toda a fazer de monkey tester.... E recuperando uma das minhas frases de eleição, pior que ser um monkey coder só mesmo ser um monkey tester...

E para finalizar, deixo um abraço especial aos membros do CAVE! Consegui cumprir a promessa e não divulguei nem o significado da sigla nem as suas iniciativas top secret... E se alguém leu até aqui a pensar que o meu primeiro parágrafo era a brincar, vai ficar um bocado desiludido mas não se pode queixar de eu não ter avisado.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sangano

O último fim de semana começou bastante mais cedo que o normal já que, logo após o almoço, ficamos sem energia eléctrica... Já desde o início da manhã que se trabalhava sem servidores, sem internet e sem electricidade de rede pública, até que os geradores também acabaram por falhar... Foi apenas uma simples questão de tempo até as baterias dos portáteis terem também terminado e o fim de semana começar mais cedo...

Por esta altura já se combinavam planos para o fim de semana, embora se estivessem a combinar vários sítios e grupos em paralelo. Apesar de já ter passado um fim de semana em Sangano logo na primeira estadia em Angola, acabei por escolher este local novamente, já que acho aquela praia espectacular.

Depois de tudo combinadinho com o Fernando, o Paulo, o Diogo e a Carina, fizemo-nos à estrada no dia seguinte. Após um desvio bastante rápido pelo Palm Beach, acabámos por ficar durante algum tempo em filas de trânsito que se arrastaram até um bocado depois do mercado de Benfica... Raio de azar, duas horas e tal para fazer uns míseros cem quilómetros... Pára, arranca, pára, arranca, mas sempre com boa disposição a reinar dentro do Nissan Sunny (sim, o mesmo que eu enfiei num buraco...)

Miradouro da Lua - Daniel, Fernando, Carina e Paulo

Pelo caminho, paragem obrigatória no Miradouro da Lua, um local rochoso bastante esquisito e um pouco mal enquadrado na típica paisagem que se costuma ver por cá... Já tinha visto várias fotos do local, quer na net quer de outro pessoal que já tinha estado lá, mas nunca tinha feito o curtíssimo desvio entre a estrada principal e este miradouro. Vale bem a pena admirar a paisagem única, com o mar mesmo em frente a perder de vista, aquelas rochas de feitio um bocado estranho... Penso que o nome do miradouro foi muito bem escolhido, até porque a sensalão que fica parece ser mesmo aquela de estar num outro planeta qualquer que não a Terra.

De regresso ao carro, continuou-se em óptima boa disposição e cumpriram-se os poucos quilómetros que ainda faltavam até ao desvio para a praia de Sangano, ou seja, até ao desvio situado após uma ligeira subida e onde se começava finalmente a descer o caminho de terra batida que nos levaria até à praia. Pelo meio, lá se fez uma nova paragem junto a uma casa do partido MPLA pertencente a Sangano e Cabo Ledo, só mesmo para tirar mais umas fotos e ter mais algumas recordações.

Praia de Sangano - Raquel, Diogo, Fernando, Carina, Daniel e Paulo

Depois de estacionar o fabuloso Nissan Sunny, que começa a estremecer por tudo quanto é lado ao chegar aos 110 km/h no caminho de acesso ao restaurante Pirata, começámo-nos a encaminhar para a praia para nos juntarmos ao grupo de malta "conhecida" (eu só conhecia duas pessoas... e mal...) e tenho logo o primeiro pesadelo...

Praia de Sangano - Paulo, já fossstesssssss...

Estou eu a caminhar já de toalha ao ombro pela areia fofinha da praia e começo a ver um cão pequeno aproximar-se... Com todos os problemas relativamente recentes sobre surtos de raiva em Angola, todo o cuidado é pouco, portanto estava já eu a afastar-me um pouco quando vejo o raio do bicho aproximar-se todo contente a abanar o rabo... Bolas, nem a cem quilómetros de Luanda me livro deste animal estúpido!? Então não é que o Alexandre, que vive na mesma casa que eu, decidiu levar o raio do bicho para Sangano!? Gosto muito de animais e em particular de cães, mas esta é definitivamente uma relação profunda de ódio-ódio... O melhor mesmo é ignorar...


Debaixo daquele calor e com um mar tão apetecível à frente, pouco tempo conseguimos resistir até que nos decidimos a tomar um bom banho naquela água salgada que a todos, excepto à Carina, pareceu fria... De certeza que devemos estar a ficar mal habituados, já que ela achou a água espectacularmente quentinha... Coisas de principiante em terras angolanas, só pode!

Gosto mesmo muito desta praia e começo a colocar o Mussulo seriamente em causa... Sangano fica um bocadinho mais distante, mas vendo bem acaba por não ser assim tão mais longe... Além disso, o Mussulo é já bastante mais turístico, mais caro, com uma praia bem mais pequena e com uma grande agravante: só tem ondas dignas desse nome quando alguma embarcação, vulgo lanchas rápidas, passa na zona em que se está... Além disso, a brincadeira fica a rondar os cinco mil e tal kwanzas no total, tendo em conta que o almoço é um mero hamburguer e um simples sumo...

Já Sangano, pelo contrário, tem uma ondulação porreira, com algumas ondas e uma maré mais agressiva, dando bem mais gozo andar no mar... Além disso, muito contrariamente ao Mussulo, é um sítio muito menos europeu, com uma proximidade maior à população de pescadores local, onde se comem umas lagostas deliciosas e bebem umas caipirinhas bem açucaradas ao almoço por um preço bem mais baixo... Assim sendo, é só vantagens mesmo!


Depois de mais algumas idas ao mar, bastante tempo a apanhar banhos de sol, depois de uma bela passeata pela praia, chegou a altura em que o paraíso parecia estar a terminar, já que o sol começava a descer no horizonte, dando origem às já habituais e míticas fotos de pôr-do-sol na praia...

É muito engraçado ver que, normalmente ao reunir as fotos de um grupo de pessoas que esteve num determinado local, todas elas têm obrigatoriamente fotos do pôr-do-sol... E o impressionante é que, independentemente do número de vezes que se vá ao mesmo local, acabam sempre por aparecer mais e mais fotos deste momento de final de tarde, momento este que simultaneamente nos hipnotiza durante alguns instantes, mas que também nos avisa que são horas de assentar os pés na terra e começar a pensar em regressar a casa...

No entanto, aquilo que acaba por ser ainda mais caricato é que, olhando para as fantásticas fotos de pôr-do-sol que se conseguem tirar, acaba-se por se conseguir facilmente perceber o porquê de tantas fotos tiradas neste momento mágico... Por mais que se tente, é um pouco complicado resistir à tentação de carregar mais algumas vezes na máquina fotográfica e tentar obter as melhores perspectivas.


Uma vez tiradas mais sei lá quantas fotos para colocar no álbum de recordações, quase todas elas tiradas pelo artista da fotografia Diogo e pela sua super máquina fotográfica, hora também para algumas fotos dignas de postais, tentando fazer poses diferentes e brincar um pouco com o pôr-do-sol.

Habituava-me bem a uma vida assim, mas infelizmente tinha já chegado a hora de regressar a casa e repetirmos os cem quilómetros percorridos durante a manhã para regressar a Luanda. Desta vez, e também para dar algum descanso ao Fernando, passei eu para os comandos da viatura e fiz a viagem toda de regresso a conduzir... Conduzir à noite numa estrada não iluminada e com um carro daqueles não é propriamente fácil, já que acaba por não se ver muito do que está para a frente devido aos faróis algo estrábicos, nem mesmo em máximos... Tem de reinar a precaução, a atenção e o bom senso de andar mais devagar e não fazer manobras perigosas...

A viagem fez-se bem, passou-se a ponte do rio Kwanza e respectiva portagem sem sermos multados pela polícia devido à ausência de um extintor no carro (sim, eu sei que é estúpido, mas não era de todo a primeira vez que alguém teria sido multado por esse motivo...), até que se regressou à famosa confusão no trânsito... Devo dizer que cheguei a casa com dores nos pés tal não foi a quantidade de tempo que passei a fazer pontos de embraiagem sucessivos!


Já finalmente em Luanda, foi só uma quesão de tempo até ir levar o Diogo e Carina ao Palm Beach, deixar o Fernando e o Paulo na casa amarela do Bairro Azul e chegar finalmente a casa! Tudo isto não sei antes se começar a combinar uma saída nocturna ao Chill Out, se bem que sobre este tema é melhor nem me alongar muito... Mas só para verem como a noite foi animada, a malta acabou às cinco da manhã, depois do Chill Out, na piscina do Palm Beach a mandar uns mergulhos e a refrescar... Foram um dia e uma noite em cheio e o que é certo é que só cheguei a casa às sete da manhã já o sol ia alto, cansado certamente e com os boxers molhados e a cheirar a cloro na mão... Peripécias da noite!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Camba

Este post é dedicado ao mister Edgar "Edy" Patrício, mais conhecido entre a malta por Camba!

Um post com natural direito a fotografia que já estava prometido à algum tempo atrás mas que, devido ao trabalho associado à última estadia e também devido a alguma preguicite aguda para escrever que entretanto se apoderou de mim durante uns tempos, foi sendo sucessivamente adiado...

Camba, o Database Administrator da ENSA que tem vindo a dar o seu contributo no projecto, quer na gestão das bases de dados, quer dando uma perninha na administração de sistemas. Obviamente, tem-se relacionado muito mais com a malta da tecla (ou seja, implementação) e fiquei positivamente surpreendido pela forma como se relaciona com o pessoal e como se tem integrado no projecto.

Ah, e já me ia esquecendo: os meus parabéns pelo novo Cambazinho que está a caminho!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Primeira condução em Angola

Ter tirado a carta na cidade do Porto, contribuiu certamente para aquirir logo à partida um maior nível de desenrascanço a conduzir, já que fiquei bastante habituado a conduzir com muito movimento, a saber lidar com filas de espera, a ouvir buzinadelas para avançar ainda antes de os semáforos mudarem para verde, etc... E se eu considerava que algumas aulas eram equivalentes a conduzir numa selva, tal não era a quantidade de manobras proibidas, perigosas e não sinalizadas que via, conduzir em Luanda é exponencialmente pior...

Depois de ter tirado a carta de condução no Porto, ter feito várias viagens no IP5, uma estrada até à bem pouco tempo considerada uma das mais perigosas e mortais em Portugal, ter conduzido em Lisboa já algumas vezes, acho que conduzir em Luanda pode ser bem mais divertido e também mais stressante, dependendo da situação...

É claro que passar montes de tempo parado em filas, não conseguir arranjar para estacionar, passar em algumas zonas consideradas mais perigosas, ter os típicos arrumadores em muitos sítios são alguns dos problemas mais comuns que tornam a condução chata e stressante...
Mas por outro lado, a flexibilidade que esta gente arranja a conduzir é impressionante, senão vejamos: criam-se novas faixas onde elas não existem, estaciona-se em terceira fila se for preciso, o sentido das faixas varia com grande dinamismo e de acordo com a necessidade, circula-se pela berma e às vezes até pelo passeio, não é obrigatório seguro automóvel, os toques existentes nem obrigam a paragens e discussões, tudo com bastante sentido prático... Portanto, comforme se pode ver, há muitas vantagens na condução local!

Além disso, há que considerar também a parte de evitar os maiores buracos existentes nas estradas, bem como evitar os restantes condutores que não respeitam sinais, regras de prioridade e até os restantes condutores... É giro, parece que se está a andar de carrinhos de choque, mas a pista é a cidade inteira! Quero ver como vai ser para uma pessoa se voltar a habituar a conduzir "normalmente" em Portugal...

Estou a introduzir este tema, já que na segunda-feira passada tive a minha primeira experiência de condução em território considerado hostil no que à condução diz respeito... Estou, naturalmente, a falar da primeira vez que tive de conduzir em Luanda, uma cidade completamente sobrelotada e com um trânsito absolutamente caótico...

O Paulo (motorista) estava-se a cortar a ir levar-me e ao Teodoro ao Jango Veleiro, local do jantar de aniversário da Carolina... Como tal, para nem haver mais chatices e para não ficarmos eventualmente pendurados sem motorista depois, lá aceitei ficar com o carro, ir a conduzir para o restaurante e depois ficar com o carro até ao dia seguinte.

Bem, devo dizer que a primeira vez que conduzi cá ia-se tornando um bocado traumática... Estava a correr tudo bem e sem o mínimo vestígio de problema até que, mesmo quando estavamos já pertíssimo do restaurante, desaparecemos dentro de uma autêntica cratera... A estrada em frente ao Náutico é recorrente no que diz respeito a ficar completamente inundada à mínima chuvada, pelo que ainda havia uma autêntica piscina na zona devido à chuva do sábado.

Ao chegar a este ponto, foi logo parar, engatar a primeira mudança e avançar devagarinho, já que sabia perfeitamente que algures ali havia um buraco gigantesco... O pior mesmo era saber que era algures ali, mas saber a sua localização exacta era impossível já que a água não o deixava vislumbrar... Então não é que estou a desviar-me devagarinho para o meio da estrada, para o tentar evitar e fazer com que o buraco passasse por baixo do carro e entre as rodas, e me fui enfiar exactamente no local errado? Só senti a roda a escorregar lá para dentro, aquilo tudo a arrastar em baixo e o carro a aninhar-se naquela cratera... Ops... Nada de entrar em pânico!

Quatro piscas ligados, tentar arrancar suavemente e nada... Nem mexeu! Mau, não está fácil isto... Aumentar a rotação acelerando, aumentar, aumentar, começar a sentir o carro a patinar e água a saltar das rodas e... Nada! Hora de começar a entrar um bocadinho em pânico... Como se costuma dizer, quando a coisa não vai a bem, muitas vezes vai a mal... O plano B foi mesmo à bruta: mudar para a marchar atrás, ver se não havia ninguém atrás e vá de recuar à doida para voltar à "superfície"! Felizmente desta vez correu bem e não tivemos problemas de maior, nem para chegar finalmente ao restaurante nem depois para voltar a casa...

E agora perguntam vocês pelo estado em que ficou o carro depois desta aventura... Bem, devo dizer que se isto me tivesse acontecido com o meu Auris, ia-me doer tudo até à alma... Mas felizmente, os carros que circulam em Angola são autênticas máquinas de guerra e este fantástico Nissan Sunny não foge à regra! Um ou outro arranhão pequeno, no sítio onde arrastou ao entrar para a cratera e pronto, na mesma! Sempre pronto a andar!

E já agora, aqui fica uma imagem caricata de uma situação que vi hoje de manhã enquanto tomava café no terraço da ENSA... Só foi pena que, enquanto fui a correr buscar a máquina fotográfica, a situação tivesse ficado "resolvida", à boa maneira do desenrascanço angolano... Uma candonga perdeu (literalmente) a porta de correr lateral em plena marginal e qual foi a fantástica solução adoptada depois da tentativa falhada de voltar a encaixar porta? Pois bem, duas pessoas, uma em cada extremidade da porta, a segurar... Espectáculo! :)

domingo, 10 de maio de 2009

Promessas: as tempestades tropicais

As promessas são feitas para serem cumpridas portanto vou tratar de cumprir já uma delas neste post sobre as tempestades tropicais.

Já muito tinha falado do imenso temporal que se abateu sob Luanda à alguns tempos atrás, que inclusivamente causou alguns estragos no nosso local de trabalho e forçou mesmo algum repouso devido à falta de condições para trabalhar...

A foto em baixo, foi das coisas mais estranhas que já vi em Angola... O céu começou a ficar demasiado castanho / amarelo por volta da altura do pôr do sol, que inclusive deixou de se ver, começou a levantar-se uma ventania tremenda e passado algum tempo o campo de visão já era consideravelmente mais reduzido! Esta tempestade começou, nada mais nada menos, numa mini tempestade de areia, já que bastava chegar ao terraço para se sentir o impacto na pele e nós olhos...

Foi giro, já que durante alguns momentos a própria Ilha deixou de se ver. Não valia a pena tentar vislumbrá-la no horizonte sequer, já que quem não soubesse o que estava por trás daquela mancha de areia... Logo de seguida, e para assentar a quantidade de pó existente no ar, nada melhor que uma daquelas tempestades tropicais, com uma quantidade de chuva assinalável num curto espaço de tempo, para logo após dar lugar ao bom tempo novamente.

As tempestades mais incríveis são de certeza aquelas com imensos relâmpagos, cujos clarões são capazes de ajudar a iluminar a baía durante alguns instantes, e ainda a elevada precipitação que ocorre, que no espaço de pouco tempo consegue inundar a cidade de uma forma incrível... É óbvio que há imenso pó na cidade, que a drenagem de água é praticamente inexistente ou está entupida, que é um país tropical e normalmente estas chuvas são abundantes quando ocorrem...

Mas mesmo assim, acaba por ser impressionante ver os efeitos que uma chuvada que normalmente não dura mais que alguns minutos pode ter na cidade e no seu quotidiano.


Quer a foto abaixo quer a foto acima são ambas da autoria do Pinto, naquele sábado em que eu fiquei em casa de descanso e em que supostamente iria cumprir o turno de trabalho no domingo... Enquanto eu andei feliz da vida na piscina do Palm Beach e a sentir a chuva bater-me nas costas enquanto nadava, abatia-se sobre o outro lado da cidade uma tempestade com efeitos brutais...

Depois de ver os vídeos que a malta filmou, fiquei parvo: até água caía das lâmpadas e curto-circuitos nem vê-los... Como é que isto é possível?... Cá para mim, devem ter desenvolvido algum sistema eléctrico em que a água não é condutora, só pode... :)

A foto anterior demonstra bem o estado "líquido" em que a marginal de Luanda se tornou, já que as ondas conseguiam chegar inclusivamente a meio da avenida... Se se tiver em consideração que a ondulação nesta zona costuma ser bastante reduzida, já se pode ficar com alguma ideia da dimensão desta tempestade.

De seguida, fica também um pequeno vídeo ilustrativo, embora eu tenha ficado um bocado desiludido com esta funcionalidade... Não estivesse eu em Angola e com uma velocidade de internet algo lenta e apagava-o já daqui... Fiquei um bocado chateado por ver que, depois de imenso tempo à espera que o upload do vídeo terminasse, o vídeo ficar reduzido a um tamanho minorca e com apenas vinte segundos de duração... Para a próxima prometo que uso a minha conta do You Tube, faço lá o upload e coloco o vídeo embebido aqui... Enfim, fica apenas um cheirinho do que aconteceu naquela tarde!


Tempo voador!

Qualquer analogia entre o título deste post e um tapete voador é pura coincidência... A única coisa em comum é mesmo a palavra e o conceito voador!

Conforme puderam reparar, o meu blog esteve mais uma vez ao abandono durante um período algo longo, já que o seu dono de vez em quando esquece-se das suas responsabilidades de escrita... Tanta coisa há para dizer desde o último post relativo a hibernação, que eu nem sequer vou detalhar tudo, caso contrário este ia ser mais um daqueles posts de grande dimensão...

Vou apenas dar uma visão rápida de tudo: a não entrada em produção na data prevista (ou o fecho do CCO - Centro de Controlo Operacional, alternativamente), a última semana em Luanda antes de ter viajado para Portugal (a mais calma de toda a estadia), o fabuloso top 3 Angola da última noite no Caribe (deixo à vossa imaginação pensarem o que seria este ranking), a turbulenta viagem de regresso marcada pelos poços de ar, a Páscoa, a surpresa inesperada da semana de férias dos meus pais em terras lusas, a minha própria (quase) semana de férias, a primeira "multa" (foi da EMEL, nem conta...), as restantes duas semanas relativamente tranquilas por Lisboa, a surpresa dos vistos em "análise superior" (seja lá o que isso for...) na embaixada de Angola em Lisboa, a primeira francesinha em Lisboa (não era má de todo, mas...), o jantar e a jogatana de PES em casa do Gonçalo e, finalmente (ouf... esta frase tem potencial para ser a mais longa de todo o blog), a viagem inesperada de regresso a Luanda na última quarta-feira quando já ninguém o esperava!

Conforme puderam constatar, muita coisa se passou desde o último post para cá e, tendo em conta que entretanto até houve uma viagem de ida e volta a Portugal pelo meio e tudo, estes factos só me ajudam a demonstrar e a provar o título do post: o tempo passa a uma velocidade supersónica!!!

Há alguns dias, numa viagem de comboio em que ia demasiado pensativo, dei por mim a pensar e a reviver algumas situações do passado... E comecei-me a aperceber que já passou mais de um ano desde que saí da faculdade (aulas), já trabalho à mais de um ano, não vou a França à quase dois anos, já passei praticamente tanto tempo em Luanda como em Lisboa, etc. Bem, o melhor mesmo é ficar-me por aqui, senão esta frase também teria potencial para ser superior à outra em tamanho...

E agora, tendo como influência os recentes acontecimentos na série Lost, que me "obrigou" a ficar acordado até às 3h da manhã para poder ver o episódio quinze da quinta temporada, pergunto-me se às vezes não seria excelente meter um bocado de travão no tempo, prender os ponteiros do relógio para avançarem mais devagar...