sábado, 15 de agosto de 2009

Poste travesso

Já lá vai um pouco distante, mas o ano de 1998 é um daqueles anos que me traz algumas recordações: ano em que se definiram os países pertencentes à zona Euro, ano de criação da empresa Google, ano em que é lançado o Windows 98, ano de Expo em Portugal, ano de Prémio Nobel da Literatura para José Saramago, ano em que a França se sagra campeã do mundo de futebol...

À semelhança de férias anteriores, o meu desporto de eleição nas férias do verão era o ciclismo e tinha imensos quilómetros percorridos de bicicleta pelas redondezas da pacata cidade alpina onde vivem os meus pais. Estando situada mesmo no coração do vale entre as imensas montanhas da zona, Môutiers era a cidade de partida para cada passeio até às estâncias de ski dispersaspelas várias aldeias de montanha: Courchevel, Meribel, Valmorel, Menuires, Val Thorens, La Plagne são vários exemplos disso, chegando ao ponto de percorrer cerca de 60/70 quilómetros diários!

E de todos os dias deste ano que já lá vai um pouco distante, o 15 de Agosto é para mim um dia de más recordações e do qual não me esqueço com grande facilidade... Apesar de ser um feriado, o meu pai saiu cedo para ajudar um casal amigo nas tarefas de reconstrução de uma casa que tinham comprado recentemente e eu, aproveitando a frescura matinal, decidi também sair cedo para dar mais uma voltinha de bicicleta e percorrer a meia dúzia de quilómetros para ir ter com ele... Maldita ideia a minha, mais valia ter ficado a dormir!

Quando cheguei à cave onde guardava a bicicleta, rapidamente detectei que tinha o pneu de trás um pouco vazio... Desconfiando de um furo e com preguiça de verificar o que se passava, acabei por deixar ficar a minha BTT encostada no mesmo sítio e sair com a bicicleta de ciclismo do meu pai... Em pouco menos de meia hora cheguei ao destino e, pouco contente com isso e para não me aborrecer muito, decidi continuar a minha voltinha... Após uma acentuada descida de alguns metros, curva apertada à esquerda, contra-curva apertada à direita, velocidade a mais, bicicleta à qual eu não estava habituado, rodas fininhas, obstáculos existentes na estrada, ser ofuscado pelo sol: conjuntura perfeita!...

Só dei conta de passar sobre uma pedra, perder o controlo da bicicleta e, azar dos azares, onde é que eu fui parar? O título do post deixa adivinhar, não deixa? Precisamente contra um poste de electricidade existente na berma e assente sobre uma base de granito: poste travesso... Cada vez que me lembro do estado em que fiquei, bem como do estado em que a própria bicicleta ficou, até me arrepio! Saindo com algum custo da bicicleta e sentindo uma dor forte na cabeça, a reacção instantânea foi levar a mão à cabeça e sentir de imediato sangue... Ops!... Felizmente estava ainda pertíssimo da casa dos amigos dos meus pais e caminhei para lá: lembro-me perfeitamente da reacção da Inês quando me viu chegar naquele estado, desatando de imediato aos gritos a chamar pelo meu pai e a tentar estancar a hemorragia com um pano húmido...

E a cara do médico que me recebeu nas urgências do hospital? Medo, o homem até levou as mãos à cabeça! Já com a ferida controlada, estive à vontade meia hora deitado numa maca a responder a um monte de perguntas que o médico e as enfermeiras insistiram em fazer-me para confirmarem que não tinha nenhum problema de amnésia resultante da pancada... Amnésia nem vê-la, mas se calhar foi por causa disto que eu fiquei um bocado maluco :) (antecipo já a possível boca...)! Depois de uma manhã no hospital, o resultado foi nada mais nada menos que 14 pontos na testa, 3 na sobrancelha e 1 no canto do olho esquerdo, acrescentando ainda um pequeno "massacre" no ombro esquerdo que acabaria por resultar numa infecção ligeira uns dias mais tarde...

Já depois de sair das urgências do hospital e passando pelo local onde estava a bicicleta, até me deixei rir... A bicicleta estava mais que pronta para ir para a sucata: o pneu da frente rebentou, a jante ficou oval, os travões da frente partiram, o pequeno farol que tinha à frente desapareceu, o garfo amolgou todo para trás ao ponto de a roda encostar no quadro, o quadro torceu e ficou com um vinco bem notório... Devagarinho é que eu não ia de certeza!

A reacção a quente a isto tudo foi a de nunca mais andar de bicicleta, decisão essa que evoluiu depois para "bicicleta sim, mas sempre com capacete" e para "nunca mais andar numa bicicleta de ciclismo". Onze anos depois, o trauma da bicicleta está obviamente mais que ultrapassado, mas continuo a olhar com muita desconfiança para as bicicletas de ciclismo e, mesmo continuando a gostar de dar uma voltinha de bicicleta e de sentir a adrenalina relativa às descidas mais acentuadas, tenho muito mais cuidado com os exageros cometidos!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Coupe du Monde de Saut à Skis

Ao final da tarde de hoje fui assistir a uma das etapas do campeonato do mundo de salto de esquis de verão. Não é novidade e não é a primeira vez que assisto a algo do género, mas é sempre agradável assistir, quer pelo ambiente gerado em torno da pista de saltos quer pela imponência dos saltos.

Comecei por tirar algumas fotos de longe de modo a apanhar a pista toda, mas fui obrigado a aproximar-me bastante para tirar algumas fotos decentes... A pista é bem maior do que aquilo que aparenta à distância e mal conseguia perceber o momento em que aqueles seres destemidos descolavam para um voo a rondar os 120 metros...

E caso se junte a esta distância percorrida no ar a parte restante da pista, a zona onde se ganha velocidade e balanço para o salto e ainda a zona reservada para que seja possível parar em segurança, facilmente se chega a um total de trezentos e tal metros e facilmente se percebe o motivo pelo qual tive que me aproximar... É que observando ao longe, mais pareciam mosquitos a voar e a cair uns metros à frente...


Após todos os saltos e uma vez encontrado o vencedor desta etapa do campeonato do mundo realizada em Courchevel, nada melhor que reforçar baterias e jantar numa das tendas-restaurante ali existentes. Depois de algum tempo de espera e já com uma brisa desagradável a causar alguns arrepios, lá se começou finalmente a jantar.

Foi curioso ver que, mesmo num país com um nível de vida um bocado mais caro que Portugal, o preço do jantar para quatro pessoas apenas se aproximou do preço pago por um jantar em Angola... Dá que pensar!

Depois de jantar e já de barriguinha cheia, faltava ainda resolver outro pequeno problema: o frio... Portugal já é tipicamente mais quente que França e ainda por cima ganhei um bocado de hábito aquele clima quente e húmido angolano, pelo que estar a 1300 metros de altitude, à beira de um lago e à noite, causou-me um ligeiro desconforto, que só foi resolvido após ter vestido a camisola que tinha no carro... Como tal, faltava apenas encontrar um bom local para assistir ao fogo-de-artifício que se iria seguir dentro de pouco tempo.

Apesar de até ter gostado do espectáculo pirotécnico, julgo que as potencialidades do local poderiam ter sido melhor aproveitadas. Acho que se poderia ter tirado partido do facto de se estar junto a um lago e aproveitado melhor este facto para conciliar ao fogo-de-artifício um espectáculo de efeitos luminosos na superfície da água. O espectáculo ficaria mais rico e diversificado, além de que teria uma duração bastante superior com um aumento de custos provavelmente pouco significativo...


Depois do fogo-de-artifício, que durou cerca de vinte minutos, tempo de regressar a casa, ver as fotos e escolher as melhores, preparar este post e ir dormir. Apesar de o dia seguinte ser sábado, seria um dia de convívio entre amigos num daqueles pequenos chalets perdidos pela montanha e como tal seria preciso acordar cedinho!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Bienvenue en France

Madames et monsieurs, nous venons juste d'aterrir à l'aéroport international de Lyon - Saint Exupéry...

Depois da longa espera para conseguir sair de Angola e da curta passagem por Portugal, entre sábado de manhã e segunda-feira à noite, eis-me novamente em França para mais umas férias... Umas férias para matar saudades da família mais próxima, os meus pais e a minha irmã, mas também para relaxar e descansar a sério dos períodos extenuantes que têm acontecido. Digo isto porque este destino de férias acaba por ser já algo habitual e portanto não tenho grandes expectativas de conhecer alguma coisa nova: exceptuando o ano passado, em que não vim um único dia que fosse a França, todos os verões tenho vindo para esta zona dos Alpes franceses. Como tal, quase tudo o que rodeia a pacata e pequena cidade de Môutiers está mais que palmilhado por mim devido aos inúmeros passeios a pé, de bicicleta, de carro...

No entanto, acho que se trata de uma zona bastante bonita para visitar e um bom destino de férias, principalmente se se decidir trocar umas férias de praia por umas férias na montanha... Uma zona situada em pleno coração dos Alpes, é certamente um dos melhores destinos turísticos da Europa para umas férias na neve de inverno e um belo sítio para quem gosta de estar em contacto permanente com a natureza no verão. As pistas de esqui, espalhadas pelas várias montanhas e estâncias da zona, que de inverno fazem as delícias de muita gente, transformam-se no verão em imensos caminhos que convidam a caminhadas com paisagens espectaculares e dignas de registar em fotografia: montanhas, montanhas e mais montanhas, algumas delas com a neve eterna que teima em manter-se mesmo no verão, vegetação abundante, alguns glaciares, as pequenas aldeias espalhadas pela montanha com os típicos chalets de madeira...

E para quem se quer afastar um bocadinho da zona, Chamonix e o famoso Mont Blanc com todos os seus glaciares e grutas de gelo ficam a poucos quilómetros, a zona da Maurienne e os seus fortes do tempo da Segunda Guerra Mundial ficam um pouco a sul, Annecy e o seu lago de águas gélidas (depois de Angola, tudo o que seja menos de 24 graus no mínimo é para esquecer...) a cidade suíça de Genève fica a pouco mais de uma hora de carro, o bonito vale de Aosta em Itália fica à distância de atravessar uma montanha para o outro lado... Assim sendo, é só ter um bocadinho de tempo e rapidamente se ficam a conhecer os vários encantos da zona.

E para os mais ousados que se queiram aventurar um pouco mais e sair daqui, apesar dos seiscentos quilómetros até à capital Paris, a distância é percorrida em apenas três horas de TGV! E para quem fizer mesmo muita questão de praia, a zona paradisíaca da Côte d'Azur, com as suas praias banhada pelo Mediterrâneo, fica a uns míseros quatrocentos quilómetros...

Como tal, resta apenas escolher, aproveitar e... bonnes vacances!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Home sweet home

Home sweet home: o pesadelo finalmente terminou! Com uma semana de atraso é certo, mas estou de volta a Portugal e este post já foi publicado a partir de terras de Camões.

Foi uma semana verdadeiramente desesperante, em que deveria estar de férias, mas em que acabei por continuar a trabalhar em Angola para não ficar sozinho em casa a deprimir fortemente! Depois de todos os esforços para tentar recuperar o passaporte, de todos os contactos diários e frequentes com o escritório de Luanda no sentido de tentar perceber o que se passava, depois de adiar a viagem de regresso a Portugal a cada dia que passava, depois de desistir provisoriamente da via diplomática e do Consulado Português, estava-me a começar a sentir completamente derrotado e impotente para resolver a situação, sem qualquer perspectiva de solução à vista…

Ao receber o telefonema do partner do escritório de Luanda ao final da tarde de quinta-feira, a minha posição não melhorou muito e ainda por cima fiquei com um grande dilema pela frente que só eu poderia decidir. Garantiam-lhe a pés juntos que o passaporte tinha a prorrogação do visto já aprovada e que estava em cima da mesa do director da Direcção de Estrangeiros e Fronteiras de Angola, mas que tinha morrido alguém importante e como tal o director andava ausente… No entanto, o que me deixou verdadeiramente preocupado foi o facto de já se ter oferecido o que fosse preciso para acelerar o processo de libertação do passaporte e, mesmo estando o passaporte pronto para entrega, isso estava a demorar demasiado tempo a acontecer…

Se quem nunca foi a Angola sabe perfeitamente que tudo naquele país vive à base de interesses, cunhas, corrupção e subornos, não é difícil a quem já tenha ido lá pelo menos uma vez confirmar isso, já que, de uma ou outra forma, já se viveu isso na pele… Ninguém é multado porque um carro ligeiro normal não tem extintor, porque falta uma porca a apertar uma das rodas ou porque se virou à esquerda num sítio sem proibição mas com o sinal existente a mais de um quilómetro de distância… Contudo, este “ninguém” tem uma condição em falta: ninguém, excepto se o país for Angola, onde reina o caos e a desorganização…

Considerando que se trata de Angola, que o passaporte estava aparentemente pronto e que já se tinha chegado ao ponto de oferecer o que fosse preciso para que o caso se tornasse prioritário, como é que o passaporte não saía? Para mim a explicação para esta conjugação de factores era simples: tinham perdido o passaporte e tardavam em admitir isso…E para piorar ainda mais a situação, pode-se acrescentar ainda o facto de ninguém do escritório saber onde parava o recibo que comprovasse o pedido de prorrogação do visto… Estar num país que não é o nosso e com a logística manifestamente problemática que toda a gente conhece nesta situação de ilegalidade é o pânico!

E portanto o meu dilema era muito simples: ir ao Consulado Português novamente na sexta-feira de manhã ou aguardar mais um dia por novidades do passaporte. Escolher a primeira opção implicaria engolir um bocado de orgulho e dar o braço a torcer, voltar lá com muita paciência e assumir definitivamente a perda do passaporte… Isto faria com que o passaporte fosse anulado e, mesmo no caso de entretanto aparecer, teria sempre de ficar à espera do salvo conduto do Consulado para poder viajar e sair de Angola… O cúmulo dos azares seria mesmo escolher esta opção e o passaporte sair nesse dia… Mal por mal e já que estava naquela situação à vários dias, optei por esperar mais um dia por novidades do passaporte e decidi ir ao Consulado apenas na segunda-feira…

Quando recebo dois telefonemas seguidos a informarem-me que, caso alguém fosse à DEFA rapidamente com o meu bilhete de viagem, a situação se iria resolver no próprio dia, já que aquilo funcionaria como prova de que ia abandonar o país naquele dia caso tivesse o passaporte na mão, nem perdi tempo a cumprir o pedido… E quando recebo outro telefonema a meio da tarde a informar que o passaporte já estava a caminho do escritório de Luanda, quase nem conseguia acreditar!

Mas, depois de tantos problemas, só quando tivesse o passaporte e dependendo da hora a que ele me chegasse às mãos é que ia ter a certeza absoluta que ia de facto viajar sexta-feira. Quando o motorista António apareceu com o passaporte, deve ter sido um dos maiores momentos de felicidade da semana! Fui imediatamente para casa acabar de arrumar a mala e ir a toda a velocidade para o aeroporto 4 de Fevereiro. Dado que apenas recebi o passaporte por volta das 18h, já não consegui fazer o check-in online e seguiu-se uma espera de tortura na longa fila que já existia para o voo da TAP com destino a Lisboa…

Cheguei ao aeroporto pouco passava das 19h e, cerca de uma hora depois, ainda nem sequer tinha passado o primeiro local de controlo… Após passar esse local e até ter feito o check-in e despachado a bagagem de porão, seguiu-se outra hora de fila desesperante em que nada parecia avançar! Quando finalmente chego à zona de controlo de passaportes, ainda tive meia hora à espera e deu para apanhar um susto, já que demorei consideravelmente mais tempo que as restantes pessoas no controlo: passaporte folheado várias vezes de uma ponta à outra mas sem que nada pudessem fazer, já que o visto tinha validade até dia 20 de Agosto…

Faltavam ainda duas filas até chegar finalmente à zona de embarque: a de controlo da bagagem de mão e a da alfândega. A primeira destas duas era inevitável e não tive outro remédio senão esperar mais um bocado; a segunda, foi completamente ignorada… Já não tinha paciência para mais uma fila e decidi começar a falar ao telemóvel e passar em frente ao posto alfandegário com um olhar alheado do mundo para ver se não me chateavam para ir lá dizer que não tinha kwanzas comigo, apenas euros e dólares… Obviamente, não poder sair do país sem kwanzas é uma treta, já que é extremamente fácil e acho que nunca cumpri essa regra…Após tanta espera, fui finalmente encaminhado para o avião e confesso que por os pés no primeiro degrau das escadas que me levavam ao avião da TAP foi um alívio tremendo! E, cansado como estava, nem sequer dei conta do avião descolar de território angolano e adormeci ainda com o avião na pista.

Chegar a Portugal foi um autêntico descanso para mim, a libertação de uma semana inteira de stress… Nem no final daquela longa de estadia de 9 semanas de trabalho intenso tinha tanta vontade de regressar como agora! Abençoada pátria de Camões, que tardava em recuperar um dos seus cidadãos… Quando finalmente pisei a pista do aeroporto da Portela, a minha vontade era dar um grito de alegria enorme, mas acabei por me consegui conter, apesar da alegria que devia trazer espelhada no rosto!

Aproveito ainda para agradecer a todos os que ajudaram no sentido de ganhar esta "luta", bem como a todos os que se preocuparam com o tema, me apoiaram e deram força para não me ir abaixo! Muito obrigado!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Retido em Angola!

O título deste post não poderia ser mais explícito e verdadeiro! Estou de facto retido em Angola, já que não tenho passaporte para poder sair do país... O passaporte é a coisa que eu mais religiosamente guardo enquanto estou em Angola e, quem me conhece melhor, sabe perfeitamente que é um dos objectos que anda quase sempre comigo... E digo quase sempre porque as únicas excepções em que o passaporte fica quietinho em casa são as ocasiões em que vou jantar fora ou sair à noite...

Pergunta-se então porque raio é que não tenho passaporte se eu tenho assim tanto cuidado com ele... Enviei o passaporte para o escritório em Luanda, para que daí lhe pudessem dar seguimento e enviá-lo para a Direcção de Estrangeiros e Fronteiras (DEF) em Angola, de forma a que se pudesse proceder à prorrogação do visto... O que é certo é que foi enviado para lá já faz hoje três semanas, dia 14 de Julho, eu recebi a fotocópia com o carimbo do Cartório Nacional de Luanda no dia seguinte, mas o passaporte nem vê-lo... Já há mais de uma semana e meia que ando a fazer pressão sobre o escritório no sentido de recuperar o passaporte, já andam os meus managers envolvidos no assunto e inclusivamente o partner do escritório local está metido também ao barulho mas, apesar de todos os esforços, os resultados até ao momento são nulos...

Sinceramente, não sei o que se passa, nem tão pouco faço ideia onde anda o passaporte... E depois uma pessoa liga para o escritório a perguntar pelo recibo do pedido de prorrogação do visto para se começar a mexer por meios alternativos e também não sabem dele... Impecável, está bonito isto... O que é certo é que não é absolutamente nada normal acontecer uma situação destas, eu já era para estar a voar para Portugal para ir de férias na sexta-feira à noite e era para estar a voar para Lyon hoje... Está completamente perdido este início de férias...

Já me passou de tudo um pouco pela cabeça e começo a ter uma decisão claramente formada, apesar de também não me ir precipitar… Tal como já cheguei a comentar anteriormente com algumas pessoas e apesar de obviamente não querer que a experiência de andar a dar voltas contínuas ao marcador tome as mesmas proporções, não é o facto de fazer um esforço adicional que me chateia mais no meio disto tudo, já que com isso eu ainda vou vivendo… Tem a parte boa e a má e tenho perfeita noção de ambas, embora possa chegar ao ponto de, com alguma razão, às vezes “levar na cabeça” devido aos exageros...

Agora paciência para estas questões logísticas é que já não há e ainda por cima parece que teimam em repetir-se cada vez mais e afectando toda a gente, umas situações mais graves que outras. Não estou em Angola há tempo como a maior parte da malta que está no projecto, mas também já sofri na pele uns quantos stresses logísticos. No meu caso, só esta estadia conseguiu condensar uma boa parte destes problemas: desde chatices com as condições da casa, ter que ir tomar banho ao hotel, faltas de respeito de um motorista, ficar pendurado às duas da manhã no local de trabalho sem ter como ir para casa e ter que pedir boleia de outro motorista... Depois das várias revoltas e manifestações que já tive relacionadas com os problemas logísticos relativos a estadias em Angola, esta era apenas a gota de água ou a cereja em cima do topo do bolo que faltava... Sei perfeitamente que a logística Angola é um filme de terror em todos os aspectos, mas se de facto a ideia é ter as pessoas cá a trabalhar motivadas e ainda por cima se refere que vem aí aposta forte em Angola, é bom que quem é responsável por estas questões se comece a preocupar a sério com este tema.

Há alguns dias atrás, mesmo sem saber se de facto o passaporte ia ou não chegar às minhas mãos a tempo de viajar na sexta-feira à noite, tomei e comuniquei a decisão de não voltar a Angola em estadias que implicassem renovação do visto ou saídas manhosas por "protocolo" com lugar a pagamento de multas... Hoje, e apesar de estar a reagir um bocado a quente e portanto não querer tomar nenhuma decisão que possa ser precipitada, a minha balança de decisões está claramente a desiquilibrar para o lado de nunca mais por cá os pés novamente...

Deixo também uma pequena nota pessoal para o Consulado Português em Luanda: uma autêntica VERGONHA! E estas letras maiúsculas não são mais que a atribuição de um grande cartão vermelho à diplomacia portuguesa, que envergonha o nome de Portugal onde quer que esteja... Uma pessoa depois de estar num país caótico como Angola, até pensa que as coisas em Portugal correm bastante bem, mas afinal de contas é pura ilusão, já que um consulado representa os interesses do país e dos seus cidadãos no estrangeiro e é o que se vê...

Espera-se também que este tipo de locais directamente sob a alçada portuguesa, nomeadamente os consulados e as embaixadas, sejam locais cujo funcionamento e serviços prestados tenham um mínimo de qualidade e eficiência, tendo como um dos principais pressupostos e deveres defender os interesses dos cidadãos nacionais residentes no país estrangeiro onde o Consulado se situa... Contudo, a minha opinião relativamente a este Consulado em Luanda é muito simples e directa: desorganizado, confuso, altamente burocrático, extremamente lentos a nível de processos e prestação de serviços e ainda por cima com funcionários super antipáticos que mais parece estarem ali por frete (pelo menos aqueles com quem eu lidei)... Só aspectos positivos portanto!...

Devo dizer que este Consulado consegue ser pior que os piores serviços prestados em Portugal por qualquer instituição pública ou privada... É para pagar a pessoas destas e para manter locais destes a funcionar desta forma que os portugueses pagam impostos? Era meter uns quilos de dinamite em cada pilar, fechá-los todos lá dentro e implodir tudo... Depois sim, era fazer uma coisa em condições e contratar pessoas eficientes e com vontade de trabalhar...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Meta de posts ultrapassada!

Reparei à pouco tempo que, muito embora ainda tenha passado pouco mais de meio ano, já consegui no ano de 2009 ultrapassar o número de posts dos dois anos anteriores, altura em que comecei a escrever o blog.

Fazendo uma breve análise de tudo o que já aconteceu, 2007 foi um ano forte a nível de escritas no blog. Parece-me ser um pouco normal, já que coincide com a altura em que comecei a escrever, já que era novidade e estava no expoente máximo da motivação para escrever. Basta ver que, apenas nos últimos quatro meses do ano, escrevi praticamente tantos posts como aqueles que escrevi em todo o ano de 2008... Mesmo fazendo uma comparação com este ano, esses quatro meses foram suficientes para escrever tanto como durante todo o período decorrido durante este ano. Tendo em consideração que este período decorrido é sensivelmente o dobro daquele que passou em 2007, o primeiro ano leva clara vantagem e uma média de posts bastante superior!

Por sua vez, o ano de 2008 foi um ano que começou muito mal relativamente a nível de posts, já que o início do ano coincidiu com a época de exames, bem como com a escolha do projecto de final de curso e empresa onde estagiar... Tal como se pode confirmar pelos posts dessa época, foi uma altura complicada e em que acabei por ficar bastante revoltado... A consequência directa disso foi a diminuição gradual de posts, chegando mesmo ao ponto de ter um longo intervalo de tempo em que não escrevi nada... Nessa altura, cheguei mesmo a pensar que o blog ia ficar por ali, completamente abandonado e maltratado... No entanto, já novamente na fase final do ano, após verificar que o blog até era lido e poderia ser útil para alguém, mesmo tendo ficado tanto tempo inactivo, decidi retomar novamente a escrita. Além disso, conjugando essa possível utilidade com as expectativas criadas e a novidade face ao tema Angola, decidi retomar a escrita em força e consegui praticamente igualar o número de posts do ano anterior!

Este ano tem sido mais estável e tem sido um ano em que os posts têm sido escritos a um ritmo relativamente normal, muito embora o blog tenha passado por alguns períodos de turbulência, turbulência essa fundamentalmente associada ao muito trabalho que tenho tido e ao menor número de horas livres com disponibilidade e motivação para escrever... A consequência mais directa disto é que alguns posts têm sido escritos com alguns dias de atraso relativamente à minha ideia inicial e à altura mais adequada em que os devia escrever, ou seja, passado pouco tempo de as coisas às quais os posts se referem terem de facto acontecido. Mesmo assim, o blog lá vai caminhando lentamente, tendo já conseguido ultrapassar a meta dos anos anteriores numa altura em que ainda falta bastante tempo até chegar ao final do ano.

De qualquer forma, como passo bastante tempo fora de Portugal, o blog continua a ser um excelente meio de comunicação para ir dizendo como estão a correr as coisas e para relatar um pouco aquilo que tenho vivido e o que têm sido as minhas experiências. Além disso, o facto de saber que por sinal já há bastantes pessoas a ler o que escrevo, aumenta de certa forma as minhas responsabilidades de escrita para com os meus leitores. Aqui fica a boa notícia: é muito provável que este ano seja um ano de boa colheita de posts. :)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Mão cheia... em Sangano novamente!

Depois de um sábado muito porreiro e cansativo, nada melhor que começar a fazer planos para o domingo! A ideia que tinha surgido a meio da semana depois de se ter abandonado a hipótese de dormir em Sangano no fim de semana era a de visitar a praia dos navios encalhados e a Barra do Dande no sábado e ir domingo para Sangano... Metade deste plano estava já cumprido mas, no final do dia de sábado, estava toda a gente a negar-se a ir para Sangano: uns porque achavam demasiado cansativo ir para fora nos dois dias do fim de semana e queriam descansar, outros porque tinham de ir dar uma perninha de trabalho ao final da tarde de domingo... Fazendo bem as contas, só eu e a Carina é que tínhamos disposição para ir, estando o Ricardo indeciso quanto a ir ou não...

De qualquer forma, a única coisa da qual se tinha bastante dependência quanto a ir ou não ir para Sangano no domingo era mesmo o pouco combústivel do carro, cerca de um quarto do depósito... Caso se conseguisse meter gasolina ainda no sábado depois de regressar da Barra do Dande, a ida a Sangano estaria garantida, pelo menos da minha parte e da menina... E assim foi: ao chegar a Luanda e depois de nos termos encontrado com o resto da malta à beira da ENSA, fomos até à zona de Alvalade tentar meter gasolina. Tivemos imensa sorte e contrariamente à bomba da marginal na noite anterior, aquela bomba não só tinha combústivel como também não tinha muita gente, pelo que nem sequer ficámos muito tempo à espera. A ida para Sangano estava assim assegurada!

Estava claramente todo partido e bastante cansado, especialmente tendo em conta as poucas horas de sono da noite anterior, o culminar de uma semana de trabalho, a condução para ir e voltar ao Dande numa estrada deplorável e ainda a caminhada pela praia dos navios encalhados... Depois de um belo banho e já de barriga cheia depois de jantar, não durou muito a que começasse a adormecer no sofá enquanto via House... Pouquíssimo tempo depois estava a dormir na cama que nem um anjinho, mesmo tendo em conta a mega festa que parecia estar a haver logo ali ao lado, já que até a cama se sentia a estremecer...

Apesar de o Ricardo sempre se ter negado a ir, eu e a Carina estávamos decididos a ir e aproveitar ao máximo o domingo! Afinal de contas, tanto eu como ela adoramos aquela praia e só era preciso haver vontade de um para convencer definitivamente o outro a ir também. Como tal, domingo de manhã, já com uma hora de atraso relativamente à hora inicialmente combinada e apenas depois de levantar dinheiro previamente, lá nos pusemos a caminho de Sangano.

Olhar para o infinito...

O dia parecia estar impecável para um belo dia de praia, daqueles dias em que está suficientemente quente para se ir à água e estar ao sol mas, por outro lado, relativamente ameno para que não sejam necessárias precauções de maior e sem que o sol funcione como uma autêntica torradeira gigante.

A viagem foi bastante tranquila e passou-se bastante bem, na conversa sobre os mais variados temas e quase sempre ao som do posto de rádio preferido do Walter Jorge, enquanto funcionou... Contrariamente ao que esperava, nem apanhámos assim tanto trânsito quanto isso e a viagem até se fez depressa, já que por volta das 11h30 estávamos já a fazer o pedido do almoço no Pirata... Tivemos azar desta vez, já que havia mais pessoas que o que costuma ser normal na praia e a lagosta não era um prato garantido, coisa que infelizmente se veio a verificar. Foi sem dúvida um objectivo falhado, já que ir a Sangano e não comer a bela lagosta à Pirata é sem dúvida de se ficar um pouco desiludido... Contudo, o peixe em geral é muito bom e a garopa que comemos estava também muito boa!

Agarrar o sol? Levitar é muito mais giro!

Depois de pensar um bocadinho e de fazer umas contas muito rápidas, cheguei à conclusão que era a minha quinta ida a Sangano, sendo que três delas foram durante esta última estadia! Acho que isto evidencia bem o quanto eu gosto desta praia! Não sei porquê mas acho que esta praia consegue condensar várias coisas que eu gosto: é o areal enorme, são os momentos de convívio que a viagem e o tempo passado na praia proporcionam, é o mar mais agressivo que o normal mas sem exageros, é o espaço acolhedor, seguro e relaxante, os bons almoços no Pirata, a companhia que tem sido sempre cinco estrelas, enfim é tudo!

É um daqueles sítios e são os momentos lá passados que sem dúvida vou guardar para sempre como sendo dos melhores que passei em Angola. E por muito que a praia seja sempre a mesma, por muito que os almoços se repitam, por muito que as fotos sejam maioritariamente tiradas na altura do pôr do sol e a tentar agarrar o sol, são sem dúvida nenhuma dias extraordinariamente bem passados e que só me trazem boas recordações.

Acho que a única coisa má que me lembro desta praia foi mesmo a primeira vez que fui até Sangano, já que à conta do mar mais agressivo que o normal acabei por torcer o joelho direito, que ainda hoje me dói de vez em quando... Ando inclusivamente desconfiado que possa ter feito alguma lesão mais grave nos ligamentos, já que não é propriamente normal ainda sentir dores passado tanto tempo, principalmente quando jogo futebol ou faço longas caminhadas... É o chamado joelho à Mantorras! Tenho de ir ao médico ver o que se passa com isto...

As lombas de 30cm da ponte do Kwanza...

Depois de uns belos mergulhos e de uns bons banhos de sol, que acabaram por incluir uma pequena soneca, fomos então almoçar. Como sempre estava delicioso, mas desta vez não chegou ao ponto de o exagero ser tal que obrigasse a pedir uma caixinha de take-away e a uma caminhada ao longo da praia para ajudar a digestão... Assim sendo, depois de o almoço ter acabado por volta das três da tarde, nada melhor que aproveitar os raios de sol restantes da tarde deitadinhos nas toalhas e desfrutar do ambiente calmo e paradisíaco da praia.

A ideia inicial era sair de Sangano por volta das quatro da tarde, tal como a malta que estava connosco e que tinha de facto passado lá a noite tinha sugerido, quer para chegar cedo a Luanda quer para evitar o trânsito da zona de Benfica. No entanto, nem eu nem a Carina mostrámos grande vontade de ir embora tão cedo... Tínhamos chegado apenas às 11h30, tínhamos acabado de nos deitar nas toalhas depois de almoço à menos de uma hora, a praia estava aos poucos a tornar-se deserta, o pôr do sol começava a ganhar alguma forma, o dia e a praia estavam demasiado tentadores e convidativos a ficar ali mais um bocado, de forma a tentar aproveitar mais um bocadinho daquele dia fantástico!

Afinal de contas, tínhamos tomado a decisão de ir sozinhos para Sangano tal como acabou por suceder, tínhamos um carro só para nós, sabíamos perfeitamente o caminho de regresso e ninguém estava dependente de nós, portanto qual era o mal de irmos mais tarde? Nenhum! Como tal, e em perfeita sintonia, decidimos ficar mais um bocado, ignorando a possibilidade de ter a companhia de outro carro com malta conhecida durante a viagem...

No entanto, a viagem de regresso acabou por ser um autêntico pesadelo... Nunca pensei demorar quatro horas para percorrer cerca de cem quilómetros... Estava a correr tudo bem até ao momento em que tivemos de parar alguns metros antes de chegar à ponte do Kwanza... As lombas estupidamente altas e sem qualquer cabimento à entrada e à saída da ponte, associadas à circulação alternada devido a obras e ao entupimento causado pela proximidade da portagem foram os três factores que conjugados causaram um trânsito terrível naquela zona e que nos custou uma hora para percorrer uns míseros dois quilómetros... Começava a ir por água abaixo plano para fazer o famoso strogonoff da Carina, já que íamos chegar tardíssimo a Luanda e ainda por cima era preciso ir às compras...

Mesmo sendo já um pouco tarde, decidimos ainda arriscar ir às compras ao Belas Shopping, já que ficava relativamente em caminho e necessitando apenas de um ligeiro desvio... Mesmo sabendo qual era o local onde esse desvio deveria ser feito, nenhum de nós conhecia o caminho para lá, pelo que foi um bocado partir à aventura e à descoberta... Até nem foi díficil dar com o sítio e muito sinceramente fiquei impressionado pela positiva: tudo com bastante bom aspecto, quer por fora quer por dentro, com organização e sem dúvida a fazer lembrar um ou outro centro comercial português em alguns aspectos... No entanto, era já bastante tarde e não havia o ambicionado lombo para o strogonoff, pelo que nos rendemos aos frangos assados que a malta do Bairro Azul ia comprar... Atrasados por atrasados, fomos ainda dar uma pequena volta pelo shopping na tentativa de encontrar à venda as havaianas com a bandeira de Angola, mas não tivemos sucesso!

Foi sair dali, tentar encontrar o caminho de regresso à estrada principal, e ala para casa tomar a bela banhoca antes de ir jantar ao Bairro Azul com o resto da malta. A hora a que chegámos era já avançada para um jantar e obviamente ninguém esperou por nós e já toda a gente tinha comido, pelo que acabou por ser um jantar a dois...

Para finalizar o dia, outra coisa a correr mal, embora sinceramente sem grandes impactos ou males maiores: não consegui falar com o motorista para lhe devolver o carro, pelo que tive de andar a fazer de motorista no dia seguinte e ir buscar a mademoiselle ao Palm Beach e depois o Fernando à casa do Trópico... Paciência, foi apenas meia hora de sono a menos que o normal e que foi seguramente mais que compensada pelo excelente dia e pelo fim de semana bem passado! Foi um daqueles fins de semana que será certamente para repetir, certo?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Navios encalhados & Carros descapotáveis

Depois do fim de semana passado ter sido absolutamente deprimente, já tinha decidido que não iria deixar que a situação se repetisse neste último... Depois de uma primeira tentativa em reservar bungalows para a noite de sábado em Sangano, tratei rapidamente de arranjar uma alternativa e a ideia de ir à praia dos navios encalhados e à Barra do Dande começou a ganhar forma.

Depois das várias fotos que vi desses locais, tinha de facto alguma curiosidade em conhecer estes dois sítios novos. Como tal, nem mesmo o facto de afinal se terem conseguido reservar bungalows em Sangano, me demoveu da ideia... Começou-se a formar um grupinho com vontade de ir a qualquer lado no fim de semana, sem que isso implicasse ter que ficar a dormir fora, o que fez com que a escolha da praia dos navios encalhados fosse de facto a melhor opção. Além disso, tendo em conta que, de todas as pessoas incluídas no grupo, apenas o Hugo já tinha ido lá, era sem dúvida nenhuma uma óptima oportunidade para ir visitar estes locais.

Angola - Vista da estrada do Cacuaco

Um dos piores argumentos contra este passeio é sem dúvida o trajecto percorrido: estrada do Cacuaco! Uma estrada super movimentada, com um trânsito terrível e num estado de degradação bastante avançado. Há até quem diga que só depois de se ter conduzido nesta estrada é que se sabe verdadeiramente o que é conduzir em Angola, algo com que eu até acabo por concordar. A ideia base para conduzir ali é mesmo fazer pontos de embraiagem constantes devido ao pára-arranca e ainda fazer os possíveis para evitar os buracos de maiores dimensões, ignorando os restantes... Nos casos em que isto não for possível, resta apenas escolher a melhor maneira de passar dentro do buraco evitando que a parte de baixo do carro arraste...

E a paisagem em redor da estrada também não é nada animadora ou bonita: musseque, musseque e mais musseque, tudo muito destruído, muita pobreza vísivel, crianças a brincar em redor da estrada em condições muito degradantes, pequenos lagos de água estagnada, muito lixo, candongas a abandonar a estrada e a circular pela "berma", entre muitas outras coisas... E depois, vêem-se coisas ainda mais estranhas: pessoas literalmente plantadas em sítios sem absolutamente nada em redor, como se por acaso tivessem ficado ali paradas no tempo... Um exemplo muito evidente disto foi a fotografia que conseguimos tirar ao "Deus do Cacuaco", um homem impecavelmente vestido com um fato branco perdido ali no meio de nada...

Nunca tinha ido para nenhuma zona a norte de Luanda e, por tudo o que vi, julgo que apesar de tudo o panorama consegue ser bastante melhor quando se circula em direcção a sul... O trânsito continua a ser horrível, mas pelo menos a estrada até é bastante razoável e não se vê tanta pobreza.

Angola - Deus do Cacuaco

"Deus do Cacuaco"

Após termos tido a sorte de tudo correr bem até ao momento, mesmo tendo passado numa estrada completamente esburacada, cheia de desníveis e com um trânsito infernal, com elevada probabilidade de ter um furo qualquer num pneu, de partir a suspensão ou qualquer coisa parecida, nada deixava antever que fossemos ter algum problema quando a estrada se transformou numa estrada impecável, com um pavimento excelente, pouco movimentada e rectas enormes... No entanto, não nos podemos esquecer que isto é Angola e que a frequência com que as situações mais caricatas têm acontecido aqui e neste projecto é bastante superior ao normal!

Capôt solto

Seguia eu uns metros atrás do carro conduzido pelo Nuno, quando o mais improvável aconteceu... Estava eu a encostar-me um pouco mais ao tracejado da estrada para ver se conseguia ultrapassar o carro que seguia entre os nossos dois carros e assim conseguir colar-me novamente ao carro da frente quando, de repente, desatei a rir que nem um perdido e liguei o pisca para encostar à direita... A Carina que estava ao meu lado ficou completamente à toa e deve ter pensado "Este gajo é maluco, já ri sozinho e tudo...", pelo que tratou de perguntar qual o motivo da inexplicável risota... Quando finalmente consegui parar de rir e lhe disse para olhar em frente e ver, o cenário era o carro do Nuno com o capôt completamente aberto e numa posição tal que impossibilitava ver o que quer que fosse...

Capôt preso com atacadores

Parece que ainda me estou a lembrar de ver aquilo a subir de repente, a bater no pára-brisas e a ficar preso e aberto sem se fechar... Que cena surreal mesmo, imagino o susto que eles não devem ter apanhado! Confesso que ainda tive ali alguns instantes de alguma apreensão, já que ficar repentinamente visibilidade nenhuma e o efeito surpresa de uma coisa daquelas poderiam perfeitamente provocado um acidente...

Felizmente nós até nem íamos muito depressa, a estrada era boa naquela zona e além disso era uma recta, pelo que o Nuno conseguiu muito rapidamente encostar-se à direita e parar de imediato. Nós parámos também imediatamente atrás deles e, a partir daí, foi um bocado reviver a série MacGyver, mas sem o canivete suíco... Como é que nós iríamos conseguir prender o capôt do carro, tendo em conta os poucos / nenhuns utensílios disponíveis? Valeram-nos os atacadores de umas botas que o nosso motorista habitual Walter Jorge tinha na mala do carro... Foi a nossa safa! A foto anterior ilustra bem o estado do carro com o capôt aberto numa altura em que a nossa velocidade devia rondar os 60 Km/h. Sempre dá para arejar um bocado o motor, não é?

Angola - Praia dos navios encalhados

Para chegar até à praia dos navios encalhados em si ainda faltava um bocado e era preciso apanhar um pequeno desvio nada parecido com uma estrada... Foi preciso descer ainda um bom bocado, desta vez num caminho quase deserto e continuando sempre num ritmo muito lento, para se começarem a avistar os primeiros navios. Que cena impressionante mesmo! Nem um, nem dois, nem três barquinhos... Navios enormes dispersos ao longo de vários quilómetros da linha costeira, a maior parte deles já num estado de conservação muito mau.

Angola - Praia dos navios encalhados

"Karl Marx"

Aquilo que inicialmente deve ter começado quando alguém se lembrou de abandonar um navio naquela praia, facilmente deve ter assumido o efeito bola de neve... O abandono de navios naquela praia foi-se sucedendo e chegou a um ponto tal que a praia se transformou num autêntico cemitério de navios encalhados abandonados, o que fez com que a praia se tornasse numa espécie de atracção turística devido à imponência e quantidade dos navios ali existentes.

Angola - Praia dos navios encalhados

A consequência mais directa de tudo isto é óbvia: perdeu-se uma praia com um areal enorme e com um grande potencial, já que a ferrugem e limalhas de ferro oriundas daqueles navios todos acaba por causar bastante poluição e inviabilizar a existência daquele mar azulinho típico de outras praias aqui existentes.

Angola - Praia dos navios encalhados

Apesar de ter gostado do passeio e da praia, acho que é um daqueles sítios para se ir uma vez e pronto. É chegar, ver e tirar as típicas fotos de recordação, marcar o pisco na lista de sítios a visitar e está feito. Não é de todo um daqueles sítios onde uma pessoa vai para relaxar a sério e passar um dia sem fazer nada, numa óptica de descanso puro, mas pelo menos acaba por ser um dia diferente daqueles que são habituais no fim de semana, que quase invariavelmente passam por se ir para a praia e passar o dia todo a alternar entre banhos de sol e de mar...

Angola - Praia dos navios encalhados

Depois de todas as fotos de grupo, faltava ainda cumprir outro objectivo: ir até à Barra do rio Dande. Já com a barriga a dar horas, subimos novamente aquele caminho deserto de terra e areia até chegar à estrada principal e continuámos em direcção a norte, percorrendo os poucos quilómetros a um ritmo de puro passeio.

Angola - Praia dos navios encalhados

Pelo meio ainda houve um pequeno susto, quando a polícia mandou parar o carro do Nuno... E digo um susto já que em Angola nunca se sabe muito bem o que poderá acontecer quando se é mandado parar pela polícia... Tanto pode correr tudo bem e ser apenas um controlo normalíssimo, como pode correr mal e apanhar na rifa uns polícias corruptos que vão tentar extorquir alguns kwanzas dando como justificação um motivo completamente absurdo. Continuei em frente e parei no final da recta à espera deles de forma a continuarmos viagem todos juntos e de certa forma precavendo alguma necessidade de eles eventualmente precisarem de alguma coisa.

Angola - Praia dos navios encalhados

Em cima: eu e o Nuno; em baixo: Ricardo, Hugo, Carina, Fernando, Pedro

Chegados à Barra do Dande por volta das duas da tarde, dirigimo-nos a um restaurante na tentativa de conseguir almoçar, mas batemos com o nariz na porta... Fechado! Decidimos no entanto estacionar mesmo sem almoçar e dar uma voltinha pela praia, acompanhada de um belo mergulho. Uma vez mais, também aqui a água não tinha aqueles tons azulados, embora por motivos completamente diferentes da praia dos navios encalhados. Não era de todo uma água poluída, mas mesmo assim a água era castanha devido à lama do rio Dande, que tinha ali a sua foz nas proximidades!

Angola - Barra do Dande

Depois do mergulhinho da praxe, fomos então procurar outro restaurante na zona para matar a fome. Fomos dar a uma espécie de resort com muito bom aspecto e por ali ficámos a almoçar em amena cavaqueira. O almoço, à base de peixe para todos, até estava bastante bom, seguindo-se depois as fotos em poses estranhas, a cantoria da música mais conhecida do Bocelli, as anedotas, as recordações das histórias mais engraçadas que já aconteceram... Resumindo e concluindo, foi um excelente sábado!

Almoço na Barra do Dande

Faltava era ainda o pesadelo: o regresso a Luanda naquela estrada horrorosa... No entanto, a viagem até acabou por se fazer muito bem na máquina chamada Hyundai Getz e apesar do trânsito, a viagem acabou por não demorar muito... Não foi uma viagem tão animada como a viagem de ida já que o cansaço associado à noitada e às três horas de sono da noite anterior começava a fazer-se sentir... No entanto, ainda teve os seus momentos de riso quando, a dada altura e devido a umas obras, dei por mim a fazer uma autêntica condução à angolana: tudo parado na estrada e eu a conduzir pela berma e a avançar mais rapidamente! Começo a ficar fã deste estilo...

Já mesmo a chegar à capital angolana, novo susto: virei bem à direita mas depois segui em frente em vez de virar à esquerda... Quando dei por mim estava numa zona perto do porto cheia de contentores, musseque, ruas muito manhosas e completamente desconhecidas... Não seria de todo agradável uma pessoa perder-se ali, ainda por cima de noite... Felizmente, depois de algum tempo, de uma chamada e de voltarmos para trás duas vezes, lá fomos dar ao caminho certo novamente e assim chegar sem mais problemas de maior a Luanda.

domingo, 19 de julho de 2009

Depressed

Não é que eu por norma seja uma pessoa extremamente extrovertida mas, nos últimos dias, sinto-me ainda menos alegre e animado que o normal... Se calhar exagerei um bocado ao escolher a palavra que dá título a este post... Deprimido é uma palavra demasiado forte, que por si só já é sinal indicativo de algo grave e eventual necessidade de auxílio exterior... Claramente, não acho que seja isso que me está a acontecer e talvez abatido fosse a palavra mais indicada para descrever o meu estado de espírito actual... Estou um bocado em baixo, pronto!...

Não sei o porquê disto e não tenho nenhum motivo aparente que justifique tal coisa, mas o que é certo é que desde à cerca de meia de dúzia de dias que me sinto mais estranho, mais tristonho e calado... Durante toda a semana limitei-me a fazer o meu trabalho, que julgo ter oscilado entre períodos de bom rendimento e concentração com outros períodos de improdutividade, stress e desmotivação completa... Andei longe, muito longe mesmo, de ser aquele gajo que está ali no seu comprimento de onda, que pouco se distrai com o que está em seu redor e que de vez em quando atira uma "posta" para o ar e mete a malta a rir... Mesmo naquelas vezes em que havia alguém a "puxar a carroça" e a picar-me dizendo qualquer coisa que à partida me faria rir, acho que me limitei a esboçar um sorriso...

A única excepção a este estado de espírito talvez tenha sido durante o jantar de sexta-feira na Fortaleza, jantar esse que rapidamente se tornou num autêntico espectáculo de stand-up comedy, com o Hugo em grande nível a meter toda a gente a rir desalmadamente! Mesmo a saída nocturna que se seguiu ao bar The Kings não foi propriamente do meu agrado... Foi fixe e teve os seus momentos bons, mas confesso que andou a léguas daquilo que já foram as melhores saídas em Angola... Quando o estado de espírito não ajuda, não há mesmo muito a fazer...

O próprio fim de semana foi extraordinariamente triste... É verdade que o tempo não ajuda e este cacimbo já começa a chatear um bocado... Mas hibernar no sábado e ficar na cama até às 17h30 foi de facto alvo revelador e pouco animador... E mesmo tendo-se assistido de seguida a um bom jogo entre Benfica-Olhanense e comido um belo jantar, novamente diferente daquilo que é habitual (salada russa), a coisa não melhorou nada... Chegou mesmo ao ponto de me negar completamente a sair à noite, coisa que nem é propriamente habitual em mim, já que por norma até costumo alinhar em tudo o que é jantaradas e saídas... Desta vez, nem pensar nisso!

Saí de casa já por volta das duas da manhã, aproveitando o facto de ter carro disponível, para ir levar o Hugo ao Bairro Azul... Sempre foi melhor que ele aterrar a noite toda algures num destes sofás da casa do Trópico e ser completamente devorado durante a noite pela imensa quantidade de mosquitos que por aqui andava...

E se o sábado foi de hibernação, o domingo não foi claramente melhor... Hibernação pura e dura até às três da tarde, seguida de um banho, pequeno-almoço e... hibernação! Até que cheguei a um ponto em que disse que estava à demasiado tempo enfiado em casa, precisava de apanhar ar, sair dali... Passar um fim de semana desta forma é para esquecer mesmo, apagar da memória... Ou mais que não seja para recordar e evitar que no futuro esta situação se repita... Tinha mesmo que sair e fazer qualquer coisa que não fosse ficar em casa a dormir, agarrado ao computador, à televisão ou aos comandos do PES...

Mesmo com toda a gente a cortar-se a ir jantar ao Veneza, decidi que ia jantar lá... Portanto, depois de alguns jogos de PES 2009, em que andei endiabrado e em que fui ganhando consecutivamente ao Fernando, lá acabei por sair de casa com a companhia dele em busca do restaurante... A aventura até correu bem, já que nenhum de nós sabia exactamente como ir para o restaurante, apenas se sabia que ficava mais ou menos numa certa zona... Depois de um ou outro engano, lá conseguimos dar com o restaurante e comer um bife na pedra, prato típico do restaurante... O jantar foi agradável e pelo menos deu para desanuviar um bocado a cabeça durante cerca de duas horinhas... Chegados a casa, ainda deu para mais alguns joguinhos antes de ir para a cama e me dedicar a escrever este post... E como já é algo tarde, o melhor mesmo é ficar-me por aqui e ir dormir, embora com uma última nota final de ânimo para mim mesmo: Tomorrow is gonna be a brighter day!

sábado, 18 de julho de 2009

Manufacturing Equipment Data Collection Framework

Se ontem alguns colegas meus disseram "Vamos ter de ir jantar fora e sair um bocado à noite para comemorar a nossa chegada a Angola. Faz hoje um ano!", também eu próprio tinha um bom motivo para festejar e nem sequer tinha reparado nisso... Só hoje, reflectindo um pouco melhor sobre a data em questão, é que notei que fez ontem precisamente um ano que fiz a apresentação do projecto de mestrado.

Manufacturing Equipment Data Collection Framework, título grande e pomposo para um projecto de recolha de dados para integração de equipamentos de manufactura. Para que raio serve esta coisa é a pergunta que se coloca... Mesmo tratando-se de equipamentos completamente diferentes, o processo de recolha dos dados produzidos pelos equipamentos durante o seu funcionamento é relativamente genérico, existindo um grande conjunto de funcionalidades comuns que podem ser perfeitamente reutilizadas e desenvolvidas de modo a serem incorporadas em qualquer tipo de integração de equipamentos.

Bee Framework foi a designação que acabou por ser escolhida para sub-título do projecto e que praticamente acabou por prevalecer em relação ao título sempre que não se tratava de nada oficial. É só vantagens: mais resumido, simples de dizer e muito mais engraçado também... E a analogia é simples: bee significa abelha, que também anda de flor em flor a recolher pólens e néctares depois usados para produção de mel e outros produtos; a ideia da Bee Framework também era a de recolher dados de diversos equipamentos, dados esses que depois podem ser usados para gerar estatísticas, melhorar desempenho, etc.

Continuo a achar que este projecto foi uma óptima escolha, não só a nível da empresa onde foi desenvolvido, a Qimonda Portugal, mas também os próprios temas abordados por ele, com uma componente extremamente forte de arquitectura de software: design patterns, frameworks e modelação UML.

O tempo voa mesmo... Parece que foi à pouco tempo, mas o que é certo é que na manhã do dia 17 de Julho do ano passado estava eu num dos anfiteatros da FEUP a defender em apresentação pública o projecto que me tinha ocupado nos últimos meses. O nervosismo inicial, associado ao facto de ter acabado os últimos preparativos do Power Point da apresentação às duas da manhã da véspera, acabou por dissipar-se muito rapidamente a partir do momento em que comecei a falar, tendo corrido muito bem a partir daí. Foi a última vez que prestei provas a um nível mais académico e, a partir daí, venham as provas a prestar a nível profissional.